Transporte coletivo de Curitiba tem prioridade de passagem pelos semáforos de canaletas

domingo, 5 de julho de 2015

Os quase 600 mil passageiros que diariamente utilizam as oito linhas de biarticulados são beneficiados pela prioridade que os ônibus têm nos semáforos. Podem até nem perceber, mas em função dessa prioridade dada ao transporte coletivo no trânsito, a viagem é mais rápida, pois os veículos ficam menos tempo parados em cruzamentos.

Definido tecnicamente como prioridade semafórica, o sistema pode prolongar o tempo de verde quando o ônibus se aproxima e reduzir o tempo do vermelho quando o ônibus chega a uma determinada distância ou, ainda, sincronizar um grupo de semáforos para que o ônibus não precise parar em cruzamentos entre uma estação e outra. Outro sistema, também utilizado em Curitiba, é a programação dos semáforos, com tempo de vermelho menor nas canaletas.

Esse controle é feito por operadores de trânsito no Centro de Controle Operacional, mesmo local onde ficam fiscais da Urbs que ajudam a orientar essa prioridade.

O tempo que vai definir a prioridade para o ônibus é variável. Como eles trafegam em sentidos opostos com os mesmos intervalos e mesmos conjuntos de semáforos, os tempos de chegada e saída por sentido são diferentes. Assim, a prioridade semafórica é trabalhada por sentido e faixa horária de acordo com o maior fluxo de usuários, o que exige engenharia para garantir que o ônibus não pare na maioria dos semáforos e fique o mínimo de tempo parado em cruzamentos, sem perder de vista a necessidade de garantir o fluxo do trânsito nas transversais.

No caso das linhas do Expresso Ligeirão, nos eixos Boqueirão e Linha Verde, essa prioridade varia de acordo com o horário e o sentido do ônibus, chegando nos horários de pico a 50%. Isso significa que o tempo de verde pode ser ampliado em até 50% do tempo do semáforo, garantindo que ao chegar no cruzamento o ônibus encontre o sinal aberto. Da mesma forma, se o sinal estiver fechado quando o ônibus está a uma determinada distância o tempo do vermelho pode ser reduzido em até 50%.

Levantamento feito no ano passado pela área de Estudo e Estatísticas da Urbs sobre o tempo de viagem dos ônibus nos eixos de transporte mostra que, em média, nas primeiras horas da manhã, o Ligeirão Boqueirão sentido Centro passa direto em 27 dos 33 semáforos do trajeto o que significa que ele passa direto em cerca de 80% dos cruzamentos. No pico da manhã, o tempo total parado em semáforo no sentido Centro fica em apenas 2 minutos.

Na Linha Verde, no sentido bairro/Centro, no pico do horário de almoço o ônibus passa direto em 79% dos cruzamentos parando, em média 24 segundos, em apenas nove dos 31 semáforos do trajeto. Quando o ônibus encontra um semáforo fechado o tempo de vermelho é reduzido.

Nos eixos Boqueirão e Linha Verde o sistema de prioridade semafórica é feito através de sensores que ficam no pavimento e, acionados por um aparelho instalado nos ônibus, alteram o tempo dos semáforos de acordo com a programação de prioridade, feita pela área de engenharia de tráfego da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran).

Na Avenida Sete de Setembro, a prioridade é feita com a sincronização dos semáforos entre duas estações. Assim, ao sair de uma estação o ônibus vai encontrar os três semáforos abertos ou, se o primeiro estiver no vermelho, o tempo de sinal fechado será reduzido também em porcentuais diferentes de acordo com horário e sentido.

Na Avenida República Argentina, sensores no solo reconhecem a passagem de veículos na canaleta e se comunicam com os semáforos, acionando a prioridade. No eixo Norte, a prioridade é feita com a programação de tempo dos semáforos que ficam menos tempo fechados no sentido da canaleta.

Ligeiro

Motorista de ônibus há 28 anos e, desde 2010, do Ligeirão Boqueirão, Airton Rodrigues de Oliveira é um entusiasta do sistema de prioridade. “É só passar no sensor que o semáforo abre, espere para ver”, desafia. De fato, em função do horário, os semáforos do trajeto – sentido bairro-Centro a partir do terminal Hauer, abrem em todos os cruzamentos até a Praça Carlos Gomes. “Isso varia conforme o horário, de tarde a prioridade maior será no sentido contrário, afinal, esse é o Ligeirão, não é?", brinca o motorista. O tempo total de viagem no horário de pico é de 22 minutos, subindo para 25 fora do pico.

Pedrina Lúcia Rosa, professora aposentada, usa o Ligeirão sempre que precisa ir ao Centro ou para um bairro no trajeto. “O Ligeirão para mim é uma maravilha, é rapidíssimo. Imagine para quem trabalha e precisa do ônibus”, diz. Embora utilize o ônibus com frequência, ela não sabia da prioridade semafórica. Ao ser informada de como funciona, aprova o sistema. “Com certeza que isso é um benefício sim, dá agilidade. Para quem trabalha o Ligeirão é o que há de bom”, diz.

Trafegando no eixo Boqueirão, o motorista do Circular Sul, José Luciano Perotoni, diz que naquele horário e sentido (perto do almoço, indo para o bairro), a viagem seguia tranquila. “Agora na ida vai bem, para quem está vindo o tempo é diferente”, conta. Essa diferença é o que exige uma programação precisa e intrincada porque a canaleta tem dois sentidos e o semáforo é o mesmo. Por isso, o acionamento é feito por sensores que ficam na faixa em que está o ônibus e não em toda a largura da canaleta.

No Ligeirão Pinheirinho/Carlos Gomes, o motorista Rubens de Souza, que trabalha há 20 anos no sistema, também considera que a prioridade semafórica é essencial. “Sem essa prioridade ficaria muito difícil. A cidade cresceu muito, tem muito carro”, diz.

João Alves, aposentado e que usa o Pinheirinho/Carlos Gomes, conta que nunca tinha percebido que o ônibus fica pouco tempo parado no semáforo, ou passa por ele aberto. Ao observar durante a viagem, aprovou na hora. “É muito bom, assim chega mais rápido”, diz ele.

No mesmo ônibus, a estudante Paula Vasconcelos Marjolla percebe o quanto a linha é rápida. “O ônibus não pega trânsito, ele vem muito rápido. Eu acho que é bem mais rápido e bem mais em conta.”

Curitiba tem oito linhas de biarticulados (incluídas as duas linhas de Ligeirão) que trafegam em seis eixos de transporte (Norte, Sul, Leste, Oeste, Boqueirão e Linha Verde). Os eixos são a espinha dorsal do sistema integrado que transporta, por dia, em torno de 1,8 milhão de passageiros no sistema urbano.

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