Usuários da Circular em Rio Preto reclamam de falta de cobradores, superlotação, linhas insuficientes e atraso, entre outros problemas

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Em 63 anos, Circular Santa Luzia acumula problemas que atormentam a vida dos usuários de transporte urbano em Rio Preto.
Não adianta só reduzir o preço da tarifa de R$ 2,30 para R$ 2,10, como promete o prefeito Valdomiro Lopes (PSB). A  concessionária  terá de resolver problemas de superlotação, linhas insuficientes, falta de limpeza e manutenção dos veículos, horários atrasados, acessibilidade,  falta de segurança e ausência de  cobradores.
O BOM DIA percorreu nesta quarta (11) à tarde pontos de ônibus, principalmente na zona norte da cidade, para ouvir os passageiros quanto à qualidade do serviço prestado pela concessionária.
No Jardim Nunes, os moradores Paulo Pereira, 67 anos, Alessandra Gabriel, 37, e Luzia Lopes da Silva, 58, foram unânimes em afirmar que os ônibus que fazem a linha do bairro atrasam, em  média, 40 minutos.
“Tem dia que chego atrasada no trabalho por causa desses atrasos. Alguns motoristas  nem param no ponto porque o veículo já está lotado “, afirma Alessandra.
Além do atraso e linhas insuficientes, Paulo reclama que, como não há cobradores em todos os horários da linha, muitos motoristas fazem a cobrança da passagem enquanto dirigem.
“A falta de cobradores coloca em risco a vida de todos. Questão deve ser revista”, diz Paulo.
O BOM DIA usou a linha do Solo Sagrado nesta quarta (11) e constatou que, além de todos os 44  passageiros sentados, outros  54 estavam em pé, ou seja, 98 pessoas dentro do ônibus.  O limite permitido é de 74 pessoas no caso deste veículo. 

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A dona-de-casa Antônia Abriciano, 43, moradora da Vila Toninho, não usa mais o transporte urbano à noite depois da onda de assaltos a motoristas de  circulares. “Por duas vezes o ônibus em que estava foi assaltado com homens armados com revólver e faca. Quando preciso sair de casa à noite, prefiro  mototáxi, porque acho mais seguro”, afirma Antônia.
Moradores do bairro Dom Lafayette reclamam de assentos quebrados. “Há dois meses que uso o mesmo ônibus dessa linha e dois assentos permanecem quebrados há 15 dias”, diz a vendedora Érica Carla Nunes, 25.
Atendente demora 2 horas e meia para chegar ao trabalho
A atendente Kely de Lima Moretti, de 25 anos, demora 2 horas e meia para conseguir levar os filhos à escola e ir trabalhar. Ela e os filhos Gabriel de Lima Moretti, 3 anos, e Miguel de Lima Maretti, 1 ano, acordam às 5h.
A família pega o ônibus da linha Jardim Gabriela, às 5h40, até o terminal rodoviário. Às 6h30, eles pegam o do Jardim Nunes e descem em ponto próximo à Escola Estadual Dr. Adelicio Teodoro.
 “Por volta das 7h, depois de ter deixado os dois na escola ando mais seis quarteirões para pegar o do Jardim Antunes para voltar ao terminal rodoviário”, diz Kely.
A atendente consegue chegar ao terminal rodoviário às 8h10. “Tinha de ter uma linha para ligar esses dois bairros”, afirma Kely.
O trajeto feito por ela é de 30 quilômetros. De carro, Kely levaria menos de meia hora. “À tarde tenho de fazer esse caminho de novo para buscá-los na escola.”
A Circular Santa Luzia afirma que a criação de linhas é de responsabilidade da prefeitura e que o sistema radial (onde todos os ônibus convergem para o Centro) é baseado em  um estudo do tráfego feito em 1990.

Circular  reclama de trânsito e diz que segue normas A Circular culpa o excesso de trânsito pelos atrasos e afirma que segue normas federais sobre a quantidade de passageiros transportados em cada ônibus, que seria de seis pessoas por metro quadrado, o que dá, no máximo, segundo a empresa, 74 passageiros por veículo. Cada ônibus tem capacidade para transportar 44 pessoas sentadas.
Sobre atrasos de mais de 40 minutos nas linhas do Antunes, a assessoria da empresa sustenta que se trata de um bairro muito distante e a falta de corredor exclusivo de ônibus dificulta o aceso rápido ao local. No Dom Lafayette a justificativa é de que a demanda no local não seria muito grande daí a razão da quantidade menor de ônibus.
Sobre cadeira quebrada em ônibus que faz a linha na avenida Mirassolândia, a Circular informou que a peça será trocada.
A empresa se nega a fornecer a quantidade de linhas que tem cobradores. Afirma ainda que 60% dos 70 mil passageiros diários utilizam cartão eletrônico, o que dispensaria o cobrador.
73 anosé o período mínimo que a Circular Santa Luzia ficará no domínio do transporte coletivo em Rio Preto 
Primeiro lote A Circular Santa Luzia venceu o primeiro e principal lote da concessão de transporte coletivo que tem 35 linhas, cobrindo toda a zona norte, onde moram cerca de 150 pessoas. 

Segundo loteA prefeitura espera abrir as propostas do lote 2, para mais 22 linhas, na semana que vem. Cobra, no mínimo, R$ 2 milhões. O lote 1 vai ser concedido por R$ 7,1 milhões.

Fonte: Rede Bom Dia (Luciano Moura)

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