Em Porto Alegre, Audiência debate falhas no transporte coletivo e empresas não aparecem

sábado, 28 de maio de 2011

Causou estranheza entre vereadores, autoridades e moradores de Porto Alegre a ausência de representantes de empresas de ônibus em uma audiência pública realizada, na noite dessa quinta-feira, para apresentar os resultados de um estudo de oito semanas sobre reclamações no transporte coletivo da cidade. A principal entidade do setor, a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) foi convidada para a reunião, na Câmara Municipal, mas não compareceu.

Na reunião, vereadores apresentaram reclamações de passageiros, que incluem superlotação, horários desregulados, filas e terminais com espaço insuficiente. Em entrevista ao programa Conexão Guaíba, a presidente da Casa, Sofia Cavedon (PT) criticou a ausência. “Tivemos a representação de todos os envolvidos no tema, como sindicato dos rodoviários, a EPTC, o Conselho de Transporte Urbano, mas a ATP faltou solenemente, o que justifica ainda mais a necessidade de licitar este serviço”. Recentemente, o Ministério Público de Contas revelou que há mais de 20 anos não ocorrem licitações no transporte coletivo de Porto Alegre, fato que é apurado de um inquérito civil conduzido pelo órgão.

A Rádio Guaíba tentou localizar dirigentes da entidade, mas o presidente da associação, Enio dos Reis, se negou a falar sem um contato prévio com a assessoria de imprensa da ATP - com o celular de contato desligado.

A vereadora ponderou, contudo, que a EPTC ficou de intermediar os contatos com os transportadores para cobrar explicações diante das reclamações. A empresa pública se comprometeu a realizar uma nova licitação em 2012 para a concessão das linhas do transporte coletivo na cidade, com critérios mais rigorosos de qualidade.

Na audiência, a EPTC ainda respondeu críticas de passageiros quanto ao tempo de 30 minutos, considerado escasso, para que o usuário tome um segundo ônibus pagando só uma passagem, novidade que a Prefeitura anunciou para 1º de julho. Conforme o órgão, o tempo só deve começar a ser contado quando o passageiro descer do primeiro veículo. O sistema foi elogiado, mas visto com dúvidas pela presidente da Câmara. “Como irão controlar o horário que o passageiro saiu, sem não registro no cartão TRI de saída?”. A EPTC garantiu, até julho, encontrar uma solução.

Ao ser questionada sobre a postura das gestões petistas diante dos problemas de superlotação e a ausência de licitação, Sofia Cavedon reconheceu que os governos do partido "afrouxaram" ao longo do tempo. “No primeiro governo da Frente Popular, o então prefeito Olívio Dutra deu uma sacudida no setor, mas não houve sequência, mas sim um afrouxamento. As empresas estão muito soltas e não tem como fiscalizar com sistemas eletrônicos”.

No MPC, o inquérito civil, além de apurar a ausência de licitações, também examina a legalidade do reajuste das tarifas do transporte coletivo. O pedido foi feito neste mês pelos vereadores do PSol na capital, Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, que argumentaram que os "aumentos tarifários sistemáticos acima da inflação" não se justificam. já que "os ônibus andam lotados e o tempo de espera nas paradas é muito longo".

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