Ao contrário da cidade de São Paulo, Bogotá prioriza o transporte coletivo

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

“Bogotá, com todas as dificuldades, prioriza o transporte coletivo. Já em São Paulo, a prioridade são os veículos particulares”. Desta forma, o coordenador do Programa Bogotá Como Vamos, Carlos Cordoba, resume a principal diferença que observou entre o município colombiano e a capital paulista nas áreas de transporte e mobilidade urbana. Ele, que está na cidade a convite do Movimento Nossa São Paulo e da Comissão de Transporte da Câmara Municipal, participou nesta terça-feira (21/9) do seminário “A experiência de mobilidade na cidade de Bogotá”, realizado na sede do Legislativo paulistano.
No evento, Cordoba se disse surpreso com o fato de existir uma empresa municipal (a Companhia de Engenharia de Tráfego – CET) que “está o tempo todo preocupada com a mobilidade dos automóveis particulares, quando a preocupação deveria ser a mobilidade do transporte coletivo”.
Ao iniciar a exposição sobre a cidade em que vive, ele apresentou alguns dados – Bogotá tem 7,2 milhões de habitantes, 1,4 milhões de veículos particulares e 16 mil ônibus – e fez um breve relato da história dos sistemas de transportes lá utilizados desde o início do século passado, passando pelos bondes, trólebus e ônibus. Segundo ele, o ponto comum em todo o período é que o transporte coletivo sempre foi prioritário para o município.
O militante social colombiano usou a maior parte da exposição para explicar o funcionamento do TransMilenio, sistema de transporte de massa de passageiros baseado em ônibus, que representou um grande avanço para a cidade. “Em 1999 aparece o TransMilenio, inspirado no sistema de Curitiba”, relatou.
Hoje, o sistema conta com 84 quilômetros de linhas troncos – que permitem ultrapassagem e onde rodam, de forma exclusiva, 1.205 ônibus articulados –, além de 633 quilômetros de linhas alimentadoras. Estas funcionam com ônibus normais. São realizadas um milhão e setecentas mil viagens por dia. 
“Além de ajudar a melhorar o trânsito, o TransMilenio provocou uma mudança na cidade”, informou Cordoba, explicando que o novo sistema também teve impacto positivo no aspecto urbanístico, na qualidade de vida e até na cultura dos moradores da metrópole. Outra coisa que ajudou, em sua opinião, foram as campanhas educativas que os três prefeitos anteriores à atual gestão realizaram sobre o tema.
Fora os corredores expressos para ônibus, a capital colombiana tem mais de 300 quilômetros de ciclovias – outros 90 quilômetros estão em construção. “Aos domingos, algumas avenidas são fechadas à circulação de veículos e aproximadamente um milhão pessoas saem de bicicleta para utilizar estes espaços e as ciclovias”, comentou o coordenador do Programa Bogotá Como Vamos.
Os atuais desafios na área de transporte e mobilidade da cidade, pontua ele, são concluir as obras da 3ª fase do TransMilenio, que estão atrasadas em um ano, definir o projeto e construir a primeira linha de metrô e integrar os módulos de transporte de passageiros, o que inclui a implantação de um sistema semelhante ao “Bilhete Único” utilizado em São Paulo.
Cordoba reconheceu que ainda existem problemas a serem resolvidos na área de mobilidade, mencionando que a sociedade civil local tem divergências com o atual prefeito em relação ao trajeto planejado para a linha do metrô e ao custo da tarifa proposto para o futuro sistema integrado de transporte. No caso do metrô, Bogotá Como Vamos solicitou mais estudos antes da definição. “Mesmo que demore mais um ano, que seja tomada uma decisão técnica correta”, argumentou.         
A divergência apontada pelo colombiano em relação ao metrô de Bogotá levou Maurício Broinizi, coordenador do Movimento Nossa São Paulo, a estabelecer um paralelo com a polêmica que acontece na capital paulista sobre as três linhas de monotrilhos planejadas pelos governos municipal e estadual. “É mais ou menos o que estamos propondo em relação ao monotrilho”, comparou Broinizi. Nas audiências públicas e debates, a maioria dos moradores das regiões onde serão implantadas as linhas do novo sistema tem rejeitado o monotrilho e reafirmado a opção pelo metrô. O Movimento defende que os projetos sejam paralisados e estabelecido um diálogo entre a Prefeitura, a Câmara e a sociedade sobre um Plano Municipal de Mobilidade e Transportes Sustentáveis, que incluiria o tema dentro de uma visão mais ampla da metrópole.
Ao dar sua opinião sobre o assunto, o representante do Programa Bogotá Como Vamos afirmou que a proposta de instalar monotrilho em São Paulo “é um exemplo das decisões que são tomadas de forma isolada, sem se pensar no município como um todo” e que não existem exemplos bem sucedidos no mundo deste novo sistema de transporte. “Em várias cidades estão derrubando os monotrilhos, devido à degradação urbana que provocam”, registrou. Para Cordoba, a discussão sobre a mobilidade tem que levar em consideração a questão social e a qualidade de vida das pessoas.
O vereador Juscelino Gadelha (PSDB), presidente da Comissão de Transporte da Câmara e coordenador do seminário, também se posicionou contra os planos da Prefeitura e do Governo do Estado de implantar o monotrilho. “É uma decisão política que o governo tomou. Não passou por está Casa e está sendo implantado”, lamentou.

Veículo particular não circula no Dia Sem Carro e rodízio é de dois dias
Após o encerramento do seminário, que integra a programação da Semana da Mobilidade, o coordenador do Programa Bogotá Como Vamos – organização que, na cidade colombiana, tem uma atuação semelhante a do Movimento Nossa São Paulo, aqui na capital paulista – concedeu entrevista à reportagem, detalhando algumas informações. Leia os principais pontos abordados:
MNSP – Como é o Dia Mundial Sem Carro em Bogotá?
Carlos Cordoba – Lá, o nome é Dia Sem Carro ou Dia da Mobilidade. A data também não é a mesma, pois acontece todos os anos na 2ª segunda-feira de março. Por lei, os carros particulares são proibidos de circular no dia e respeitam a regra. Só rodam os veículos do transporte coletivo, as ambulâncias, as viaturas policiais e outros serviços essenciais para a população.
Como vocês conseguiram aprovar uma lei desta?
Nos primeiros dois anos, a adesão era voluntária, como aqui. Mas, em 2001, a população foi consultada, por meio de um plebiscito, e aprovou a medida. 
Existe rodízio de carros na cidade?
Sim e é mais amplo que aqui. Lá, cada veículo particular fica sem rodar dois dias inteiros por semana.
As restrições à circulação de carros particulares são vistas aqui como medidas impopulares e de difícil aprovação...
Em Bogotá, quando se toma uma decisão desta se é muito criticado, mas depois a população aceita rapidamente. Uma greve do sistema de transporte coletivo, ocorrida em fevereiro deste ano, acabou fortalecendo o apoio da sociedade às medidas. Sem o transporte coletivo, todo mundo saiu de carro para trabalhar e a cidade ficou parada. Então, as pessoas entenderam que não se poderia mais retirar as restrições aos veículos particulares.  


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Câmara Municipal de Lisboa sugere nova rede transportes coletivos

A cidade de Lisboa poderá ter daqui a uns anos uma rede de Transporte Coletivo em Sítio Próprio (TCSP) com elétrico rápido, metro de superfície ou trólei, se vingar a sugestão que a autarquia faz na proposta de Plano Diretor Municipal (PDM).
Na proposta de PDM que hoje apresenta publicamente, a Câmara de Lisboa reconhece os seus "condicionalismos de intervenção e participação" nos processos de planeamento das redes e modelos de exploração dos operadores" de transportes (Metropolitano e Carris) da cidade, mas sublinha que isso não deve impedir a autarquia de apresentar as propostas que defende e os modelos que entende melhor se integrem na sua estratégia de mobilidade.
A nova rede de transportes coletivos porposta para autarquia integra várias linhas/ligações, entre as quais Algés/Praça da Figueira, Falagueira/Santa Apolónia, Cais do Sodré/Parque das Nações, Algés/Alcântara e Alta de Lisboa/Entrecampos.

Fonte: EPA

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Caos no transporte coletivo chega a Câmara de Ribeirão Preto

O caos no transporte coletivo de Ribeirão Preto acompanha a vida da população diariamente. Com a passagem sendo cobrada a R$ 2,40, a população cobra por serviços melhores, como por exemplo, a sinalização dos itinerários das linhas oferecidas. Muitos moradores ficam perdidos na hora de pegar um ônibus por não saber por quais ruas o mesmo irá passar. 
A situação fica ainda mais grave quando lembramos que Ribeirão Preto é uma cidade universitária e recebe milhares de pessoas de outros lugares. A maioria se confunde com a falta de informação nos pontos de ônibus do município. É o caso do estudante de jornalismo Vinicius de Arruda, morador da cidade de Salles de Oliveira. “Eu trabalho e estudo em Ribeirão Preto. Quando saio da minha cidade geralmente já me informo, seja pela internet ou pelo telefone. Acredito que a Transerp deveria implantar um guichê dentro da rodoviária para a população tirar dúvidas, distribuir panfletos, qualquer serviço que auxilie o povo”, reivindica o estudante.
 
O tema chegou até a Câmara Municipal e foi discutido nesta terça-feira (21), em sessão ordinária realizada pelos vereadores. De autoria do vereador Alessandro Maraca (PSDB), substituto de Silvana Resende, o projeto de lei que determina que as empresas responsáveis pelo transporte coletivo na cidade disponibilizem placas indicativas sobre o itinerário das linhas oferecidas foi aprovado. De acordo com o projeto, a medida vale a partir da próxima licitação para renovação de contratos. 
 
As placas deverão ser instaladas em todas as paradas de embarque e desembarque dos usuários, devem indicar, no mínimo, o número da linha, as principais ruas por onde passam e o destino final. O custo para implantação desta medida deverá ser arcado pelas próprias empresas.
 
Entramos em contato com o vereador Maraca para saber detalhes do projeto. Segundo ele, Ribeirão Preto precisa elaborar com urgência o Plano Diretor Viário. "Hoje é celebrado o movimento  "Dia Sem Carro" e o ribeirãopretano não consegue deixar seu veículo em casa e usar o transporte coletivo", analisa o tucano. 
   
A ideia do projeto é destacar as linhas que cada ônibus faz e logo abaixo detalhar os locais por onde ele passa. O objetivo final é acabar com todas as dúvidas dos usuários de ônibus. “Assim, a pessoa que embarca em pontos que não se encontram em corredores ou terminais, é obrigada a perguntar para alguém ou a olhar rapidamente no pára-brisa dianteiro do veículo e tentar imaginar qual é o roteiro, com a possibilidade de pegar o ônibus errado. Por isso, precisamos exigir que esta informação esteja clara ao consumidor, a tempo de evitar essa situação”, justifica o vereador.
 
Nesta quinta-feira (23) o projeto de lei segue para o Executivo onde será analisado pela prefeita Dárcy Vera (DEM). A democrata tem o prazo de 30 dias para emitir seu parecer. 


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Metrô do Recife receberá 15 novos trens

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) abriu processo de licitação do tipo concorrência internacional para a aquisição de 15 novos trens elétricos de ultima geração (TUE`s), cada um com quatro carros. A abertura das propostas está marcada para o dia 8 de novembro, às 10h, no auditório da Administração Central da CBTU, no Rio de Janeiro. O objetivo da aquisição é atender a demanda da Linha Sul do metrô do Recife.
Com a compra dessas novas composições, a expectativa da CBTU-Metrorec é transportar, inicialmente, 400 mil pessoas por dia, 170 mil a mais do que atualmente. Outra mudança significativa será a redução do tempo de espera, dos atuais 16 minutos para 4 minutos no horário de pico. Para José Marques de Lima, superintendente da CBTU-Metrorec, “a partir do recebimento dos novos trens, a Linha Sul multiplicará sua capacidade, mantendo sua qualidade e conforto.”
O sistema sobre trilhos na Região Metropolitana do Recife (RMR) possui três linhas implantadas, com um total de 25 TUE´s e 04 composições diesel. As linhas Centro e Sul, eletrificadas, com padrão de trem metropolitano, e a linha Curado/Cabo, com tração a diesel e características de trem de subúrbio. A Linha Diesel terá seus antigos trens substituídos por 07 VLT's – Veiculo Leves Sobre Trilhos, produzidos com tecnologia nacional, já licitados e em processo de fabricação.

Fonte: Metrorec

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Curitiba testa ônibus híbrido na linha Interbairros 2

Um ônibus híbrido movido a eletricidade e biodiesel entrará em teste por três semanas, a partir de 27 de setembro, na linha Intebairros 2, com acompanhamento técnico da Urbs – Urbanização de Curitiba S/A. O ônibus é fabricado pela Volvo, na matriz sueca, e importado pela filial brasileira da montadora, na Cidade Industrial de Curitiba.
O projeto do ônibus híbrido é fruto de um trabalho conjunto desenvolvido pela Volvo, Urbs e Fundação Clinton, que disponibiliza a nova tecnologia em Curitiba, graças a recursos repassados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O “Hibribus”, como é conhecido, porque é simultaneamente movido a eletricidade e óleo diesel. Tem capacidade para até 80 passageiros, 32 deles sentados, piso baixo (low floor), o que permite ao passageiro embarcar em nível - quando a suspensão se “ajoelha” para embarques e desembarques no mesmo nível da calçada -, motor diesel traseiro e baterias no teto do veículo.
“O Hibribus é mais um passo que Curitiba dá ao buscar novas tecnologias, uma vez que a cidade há cerca de 40 anos foi a primeira do país a inovar com a implantação de canaletas", diz o presidente da Urbs, Marcos Isfer.
Durante os 21 dias em que o Hibribus estiver em fase de testes, será submetido às condições de tráfego similares aos dos demais ônibus dessa linha, percorrendo trajetos com diferentes tipos de pavimentação, trafegando em horários normais como também nos de maior movimento.
Durante os testes, o Hibribus será monitorado pelos técnicos da Volvo e da Urbs, para avaliação do desempenho, e o veículo estará sob a guarda da Auto  Viação Redentor. Um ônibus Volvo B-7 movido a diesel, com características mecânicas similares ao Hibribus, da Transporte Coletivo Glória, também no mesmo período  estará na linha Interbairros II, para futura avaliação dos dados técnicos dos dois ônibus e coleta de resultados operacionais.
 “Curitiba mais uma vez é pioneira ao testar um veículo ecologicamente correto, que dispõe da mais moderna tecnologia e capaz de atender a demanda crescente de passageiros, graças a Volvo, que mais uma vez inova, trazendo ao Brasil o ônibus híbrido já produzido em escala comercial na Europa”, diz Marcos Isfer.
O presidente da Volvo Latin America, Luís Carlos Pimenta, disse que a montadora instalada na Cidade Industrial de Curitiba cogita produzir, a partir da autorização pela matriz sueca, chassis para ônibus tipo Padron a partir de 2012, como também articulados, até 2013, e para ônibus biarticulados, até 2014.
“Tudo depende de avaliações que a montadora faz, para que mais uma vez esteja na vanguarda tecnológica, tendo a Prefeitura de Curitiba, por intermédio da Urbs, como parceira nesse empreendimento”, disse Pimenta.
Pimenta explicou que o Hibribus, além de silencioso por causa do motor elétrico, é em média 30% mais econômico no consumo de diesel B-5. O ônibus em teste usa o motor elétrico movido por baterias instaladas no teto, para iniciar o seu deslocamento, e quando chega aos 20 km/h usa o motor a diesel par alimentar as bateris e realizar os deslocamentos.
A cada frenagem, segundo Pimenta, o sistema elétrico é realimentado, dispensando, a exemplo da maioria dos veículos elétricos, reabastecimentos com ajuda de tomadas, o que obriga os veículos a permanecer parados durante horas. Sempre que o ônibus para num cruzamento, em ruas com engarrafamento ou em ponto para embarque e desembarque, o motor desliga automaticamente para maior economia de combustível. Basta um leve toque o acelerador, para que o motor elétrico realize uma arrancada suave, garantindo o confotto dos usuários.

Fonte: Pref. de Curitiba

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