Em Curitiba, Alteração em rotas melhora Sistema Integrado para o Transporte Especial

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Para ampliar e melhorar o atendimento no Sistema Integrado para o Transporte Especial (Sites), a linha especial para o transporte de estudantes com deficiências e que apresentam diagnósticos em diferentes níveis de comprometimento, a Prefeitura de Curitiba alterou rotas e modificou o percurso de sete linhas do sistema. A mudança permitiu mais qualidade no embarque e desembarque dos 2.478 estudantes especiais, além da inclusão de novos usuários.

A alteração nos percursos foi feita no segundo semestre de 2014 e beneficiou especialmente estudantes moradores dos conjuntos habitacionais da Cohab nos bairros da região sul, como o Ganchinho e Sítio Cercado, por exemplo. ‘’Buscamos readequações para assegurar a garantia da qualidade no atendimento deste público que depende do Sites para a ter acesso à educação”, diz a gerente do Sites, Rose de Mello.

O Sites é composto por 55 linhas, com uma frota total de 60 ônibus. São 21 linhas que passam pelo terminal Ângelo Antônio Dalegrave, no Cristo Rei, operando com 21 veículos e 34 linhas que vão direto para as escolas, operando com uma frota de 39 veículos. Os ônibus possuem porta central do lado direito, elevador para cadeira de rodas, com degraus escamoteáveis para o uso normal de passageiros. Os bancos contam com dois cintos de segurança de cinco pontos.

Os usuários são estudantes com algum comprometimento mental, físico, auditivo, visual, condutas típicas e múltiplas deficiências. Um dos estudantes contemplados com as mudanças das rotas é Rony Eric Abreu de Oliveira, de 9 anos, morador do Ganchinho. Diariamente o garoto embarca no ônibus acompanhado da mãe, a técnica de enfermagem Lucijane Passos de Abreu, para chegar até a Escola de Educação Especial Vivian Marçal, no bairro Mercês. 

São as atendentes do Sites quem recebem e acomodam a cadeira de rodas de Rony no ônibus e o cuidam durante todo o percurso até o desembarque na escola. “Sem esse serviço não haveria condições do meu filho frequentar a escola e se desenvolver”, diz Lucijane. 

Além da garantia ao acesso à educação, a mãe de Rony comemora as amizades construídas com outras famílias também beneficiadas pelo Sites. “Temos desafios semelhantes e estamos em contato direto nas viagens que nos fazem estreitar laços”, disse Lucijane.

Parceria

Cada vez que um novo empreendimento habitacional é lançado, novos estudos de percursos são desenvolvidos pelas equipes que operam o Sites. O sistema funciona em parceria entre a Secretaria Municipal da Educação e a URBS – Urbanização de Curitiba S/A. A gerência do sistema cabe à Secretaria Municipal da Educação que faz a intermediação do processo entre família, escola e o transporte especial. Definição e a operação das rotas das linhas especiais cabem à Urbs.

As estratégias para melhorar a oferta envolveram também ações de atendimento ao público, de segurança no transporte, atualização e melhorias no sistema informatizado de cadastros dos estudantes além de capacitações aos profissionais que operam e trabalham no sistema.

Desde o segundo semestre de 2013, uma a capacitação interna é feita com  atendentes, que são os que recebem e realizam o embarque e desembarque dos estudantes em conjunto com professores e demais profissionais de educação e saúde das escolas por onde os ônibus circulam.

No dia 6 de fevereiro houve uma nova edição da formação anual aos profissionais do Sites. Foi o 11º Encontro para Atendentes e Motoristas, realizado no Salão de Atos do Parque Barigui. O evento integrou o plano de formação e capacitação do sistema e teve a participação de 122 motoristas e 117 atendentes.

Uma das participantes foi a atendente Sueli Gonçalves da Silva que há 13 anos trabalha no transporte especial. “Sabemos que assim como as crianças aprendem na escola, aqui também estão crescendo como pessoas, por isso a conversa e interação com eles é fundamental”, disse Sueli.

A funcionária atende adolescentes e jovens com idades entre 14 e 33 anos, na linha CIC, com estudantes da Associação Fenix e da Associação Mantenedora do Centro Integrado de Prevenção (AMCIP).

O evento serviu para discutir as práticas de atendimento dos estudantes e orientar o trabalho para o ano todo. “Buscamos unificar as relações com um trabalho baseado em três pilares: paciência, acolhimento e segurança”, disse a gerente do Sistema de Transporte para o Ensino Especial, Rosede Mello.

Segurança é palavra número um para o motorista Cleber da Silva. Nos três anos guiando o ônibus que leva estudantes com necessidades especiais, o motorista sabe que a função requer além dos cuidados necessários, um perfil dedicado e paciente no dia a dia. “É um trabalho especial e procuro atendê-los bem, para que se sintam à vontade e bem integrados já que estamos em contato todos os dias”, disse Cleber.

A orientação e capacitação dos profissionais contaram também com a palestra da psicóloga Elianes Klen, supervisora da orientação educacional da Escola EPHETA. Para ela, além dos professores e profissionais das escolas, os motoristas e atendentes dos ônibus também têm a função de ensinar os estudantes, mas para um aprendizado para a vida toda. “A acessibilidade não deve ser somente no campo físico. Nosso dever é dar exemplo nas atitudes, conduzindo com segurança e acomodando com segurança”, disse Elianes.

Informações: Urbs

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