Usuários de ônibus de São Luís convivem com a precariedade do sistema

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

"Vou de ônibus, mas não sei se chego". A frase é uma brincadeira do estudante Márcio Henrique Ribeiro, de 21 anos, sobre a condição do transporte coletivo de São Luís. Morador da Cohama, ele pega quatro coletivos diariamente para ir à faculdade e ao trabalho. E disse que já ficou a pé duas vezes este ano. "Houve uma certa melhora no setor no último ano, mas vez por outra você pega um ônibus sem condições, com bancos quebrados e em via de quebrar a qualquer momento", comentou.

A constatação do estudante é a mesma de milhares de usuários do sistema de transporte coletivo da capital. Apesar de a prefeitura ter afirmado que conseguiu incluir 300 veículos à frota de ônibus nos últimos 18 meses, a população reclama da falta de conservação e manutenção dos veículos.

Foto: Biaman Prado/O Estado
Conforme dados do Sindicato dos Trabalhadores nos Transportes Rodoviários de São Luís (STTR), hoje a idade média dos veículos que trafegam pelas ruas de São Luís é de 6,9 anos. Mas alguns veículos têm até 20 anos. Segundo o sindicato, as empresas 1001 Expresso, Brasileiro e Marina seriam as com os ônibus em pior estado de conservação.

O Sindicato das Empresas de Transportes (SET) questiona os números. Nega que existam veículos com mais de 10 anos em circulação e garante que a idade média da frota já é inferior a 6 anos. De acordo com a Lei 4.830/07, nenhum veículo pode rodar com mais de 8 anos de utilização.

Quebrados
Somente na semana passada, foram flagrados seis ônibus quebrados pelas ruas de São Luís. Todos com algum tipo de falha elétrica ou mecânica. Um estava na Curva do 90 e fazia a linha Cohatrac/Bandeira Tribuzi. Também é comum ver trafegando em São Luís coletivo com lanternas de pisca-alerta quebradas ou com soluções improvisadas. Um ônibus que faz a linha Circular/Rodoviária usava um pedaço de papelão para cobrir a tampa de entrada de ar.

Há hoje ônibus que trafegam sem os vidros das portas ou com bancos de passageiros quebrados. Um veículo que fazia a linha Uema/Ipase na semana passada estava sem uma das janelas traseiras. O carro soltava fumaça em quantidade acima do normal.

Também há ônibus que transitam com o velocímetro quebrado, entre outros instrumentos de auxílio ao motorista, como mostrador do nível de óleo, combustível e temperatura. Este ano, até veículos sem limpadores de para-brisa circularam em São Luís, conforme o STTR. Um veículo da linha Socorrão-Rodoviária com pneu com apenas os sulcos horizontais foi flagrado esta semana circulando pela capital. "O problema de se andar sem o velocímetro é que você pode estar em uma velocidade acima do permitido sem perceber. E isso fatalmente causa um acidente", afirmou um motorista, que preferiu não se identificar.

Alguns motoristas já passaram pela desagradável experiência de o coletivo quebrar no meio do itinerário. Luís Fernando Mendes já teve o veículo quebrado durante uma viagem. Sem ter o que fazer, restou a ele pedir colaboração dos passageiros. "O jeito foi chamar o guincho. Não tinha o que ser feito, infelizmente", disse. O motorista Domingos André Mendes, de 22 anos, afirma que teve sorte de nunca passar por uma situação como essa. "Colegas meus já passaram por isso, mas eu ainda não. O chato em uma situação como essa é que você precisa acalmar o passageiro. Nem todos compreendem", comentou o motorista.


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