Implantação das faixas azuis anda a passos lentos no Recife

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Apesar da eficiência constatada na operacionalização das Faixas BRS (Bus Rapid Service) dentro do Recife, sobretudo nos horários de pico, e de ser uma das ações públicas de mobilidade mais baratas, a implantação a conta-gotas das faixas azuis nas vias mais congestionadas da cidade mostra que o veículo particular ainda tem sido priorizado em detrimento do transporte coletivo. Este ano, por exemplo, não há mais previsão para a implantação dos corredores exclusivos de ônibus. A Avenida Recife será a próxima a receber a Faixa Azul, mas a execução do projeto só acontecerá no início de 2016. Dos 60 km de Faixa Azul previstos, 23 km foram implantados. 

De acordo com a Companhia de Trânsito e Transportes Urbanos (CTTU), o projeto executivo da Faixa BRS da Avenida Recife está pronto, mas aguarda a aquisição dos aparelhos de fiscalização eletrônica e o recapeamento da Rua Hélio Brandão, no bairro do Ipsep. “Segundo o cronograma da Emlurb, que está realizando a operação Verão na Zona Sul, o recapeamento está previsto até o fim de 2015”, informou a CTTU. 

A companhia explicou que a espera pelo recapeamento é necessária porque foi preciso retirar o giro à esquerda na Rua Jean Emile Favre e uma rota alternativa. Caso contrário, haveria perdas significativas para o tráfego misto. E a via alternativa é justamente a Rua Hélio Brandão, paralela à Avenida Recife. “O recapeamento vai proporcionar uma condição de circulação muito melhor do que a atual, potencializando os benefícios da ação como um todo”, justificou a CTTU. 

Em vias como a Avenida Agamenon Magalhães, os ônibus ocupam cerca de 30% do espaço, enquanto na Avenida Boa Viagem, essa ocupação é de 100%. Antes do início do projeto, o Recife possuía 20,51 km de faixas exclusivas, que aumentaram para 42,66 km. Mas ainda é pouco, levando em consideração que o uso do espaço viário pelo transporte público pode ser de 15 a 20 vezes mais eficiente do que quando utilizado pelos veículos particulares. 

Por exemplo, na Avenida Herculano Bandeira, uma Faixa Azul é capaz de permitir o deslocamento de 104 mil pessoas por dia, enquanto nas três faixas da via ocupadas por automóveis, esse número cai para 54 mil pessoas por dia. Já na Domingos Ferreira, são 144,5 mil pessoas transportadas por dia apenas na Faixa Azul, enquanto nas outras faixas ocupadas por automóveis, 70 mil pessoas se deslocam por dia. Menos da metade transportada pelos ônibus.

No que se refere à velocidade operacional do transporte público, os ganhos também têm sido relevantes. Na Avenida Mascarenhas de Morais, antes da implantação da Faixa Azul, os ônibus rodavam a 21km/h. Após a priorização da faixa, aumentou para 26km/h e, com a implantação dos aparelhos de fiscalização eletrônica, subiu para 35,42km/h. No total, o ganho de velocidade foi de 66,6%. Já na Herculano Bandeira, o aumento total na velocidade foi de 118%, com Faixa Azul e fiscalização eletrônica.

Por Rosália Vasconcelos

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