No Rio, Apenas 30% dos ônibus estão equipados com ar-condicionado‏

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O próximo verão, segundo meteorologistas, promete ser igual ao que passou, com dias de sensação térmica beirando os 50 graus. A notícia é péssima para passageiros de ônibus do Rio, já que apenas 30% da frota (9.028 veículos) estão equipados com ar-condicionado. Ou seja: as empresas do setor terão de acelerar para cumprir a meta de refrigerar todos os ônibus da cidade até 2016, conforme exigência da Secretaria municipal de Transportes.
O sindicato Rio Ônibus afirma que o prazo de um ano e meio para instalar ar-condicionado em 70% da frota será cumprido e lembra que, em dezembro do ano passado, apenas 18,6% tinham o equipamento. Em outubro, eram 2.407 ônibus refrigerados, quantidade que equivalia a 26,7% do total. O aumento de percentual corresponde à melhoria de 781 veículos.

A exigência de refrigeração de toda a frota até 2016 consta do decreto municipal nº 38.328, publicado no dia 21 de fevereiro deste ano. De acordo com a Secretaria municipal de Transportes, um eventual descumprimento acarretará em penalidades. Questionado se os empresários cumprirão o prazo estabelecido pela prefeitura, o presidente do Rio Ônibus, Lélis Teixeira, afirma que ‘‘todo o esforço está sendo feito para isso’’.

— Estamos seguindo religiosamente a meta, mas seu cumprimento também depende do setor público. Vamos ver se haverá estímulos, como contemplar as tarifas, pois os custos aumentam — afirma Teixeira.

NADA DE SUAR NO BRT

O presidente do Rio Ônibus disse ainda que uma das contribuições para o aumento da frota com ar-condicionado foi a implantação de dois corredores de BRT: o Transoeste, que tem 120 veículos e está prestes a ganhar outros 12, e o Transcarioca, no qual circulam 154. Todos os ônibus usados nesses sistemas são refrigerados. Teixeira acrescenta que as linhas alimentadoras também têm veículos com ar-condicionado:

— Quebramos o paradigma de que apenas a Zona Sul tem ônibus confortáveis. Os veículos dos dois corredores expressos circulam pelas áreas mais quentes da cidade. Em Santa Cruz, na Zona Oeste, o percentual da frota com ar-condicionado chega a 31%. É maior que o registrado em muitas regiões.

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Segundo o sindicato, ainda não há ar-condicionado em toda a frota do Rio porque nunca existiu uma política pública que estabelecesse essa condição e indicasse a forma como seria feita a transformação do sistema. No atual contrato de concessão, por exemplo, não consta a exigência de refrigeração nem regras para a mudança.

Passageiros e motoristas esperam mais um verão difícil

Enquanto 70% da frota de ônibus do Rio permanece sem ar-condicionado, só resta aos passageiros reclamar do calor que, dentro de cada veículo, pode ser dois graus maior que a temperatura registrada fora, de acordo com especialistas. Os primeiros dias do mês passado deram uma mostra do que será o verão, que começará no próximo dia 20: a sensação térmica passou dos 40 graus. A operadora de telemarketing Camila Trajano, que mora na Baixada Fluminense, trabalha no Centro e costuma fazer baldeação entre trem e ônibus no Méier, diz que está se “preparando para sofrer’’:

— Saio de casa de banho tomado e chego ao trabalho suada. Começo o dia estressada.

O Terminal Américo Ayres, no Méier, é um retrato da situação da frota de ônibus do Rio. Ali, a maioria dos veículos não tem ar-condicionado. Somente uma linha está totalmente refrigerada: é a 685 (Irajá-Méier), da Viação Três Amigos. Quem se vê obrigado a usar outras morre de inveja.

— Pego a linha 693 (Méier-Alvorada), infelizmente — reclama o professor de judô Ricardo Tashiaki.

Se, para passageiros, o desconforto de viajar num ônibus sem ar-condicionado é grande, para quem passa o dia inteiro ao lado do motor a situação beira o insuportável.

— Rezo todos os dias para ser transferido de itinerário — diz um motorista da linha 693, que pede para não ser identificado.

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No terminal de Cascadura, nenhum ônibus que para ali tem ar-condicionado. A empregada doméstica Maria Rodrigues, que dá expediente na Barra, lembra que, antes do Transcarioca, seguia diretamente para o trabalho num “quentão”. Hoje, pega três conduções e fica feliz por uma delas, a do BRT, ter refrigeração.

— Agora, só faltam as outras duas — cobra Maria.

Informações: oglobo.globo.com

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